Dragon's Crown - Analise

É, é uma analise de um jogo mais de um ano depois do seu lançamento. Sim, eu sei, quem tinha que comprar já comprou, ou aproveitou e pegou de graça na PSN no mês de agosto de 2014 (se ainda não pegou o seu, corre que da tempo). Não, eu não ligo para nada disso e vou dar minhas impressões sobre o jogo ainda assim. Bora lá.

Tomb Raider

Agora é hora de falar sobre o que eu achei do game. Mas antes de mais nada, essa game é um reinicio da série, sem relação com os anteriores, sendo considerado o primeiro jogo de uma nova série de Tomb Raider.

Mods de Skyrim

Esses são os mods que eu uso em Skyrim. Acho legal compartilhar, fazendo uma lista daqueles que valem a pena baixarem para diversificar o jogo. Você pode baixar mods no Nexus ou na Oficina Steam, mas é importante que leia cada descrição, pois alguns mods exigem outro mod ou que você tenha alguma DLC para funcionar.

Resenha - Dragões de Eter

Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. Essa Influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas.

Defendendo Kill la Kill e suas roupas "depravadas"

Vamos ao que pode ser considerado um problema no anime: quando Ryuko Matoi e Satsuki Kiryuin se transformam usam roupas ultra sexys, principalmente a segunda. Segundo várias pessoas, quando as personagens femininas de qualquer midia, seja anime, mangá, séries televisivas, games, filmes, etc, usam roupas curtas é porque estão sendo objetificadas

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dragon's Crown e Pensamentos Sobre Sexismo

E voltamos ao bloggers! E para comemorar isso, em vez das minhas rotineiras análises sobre jogos, filmes ou animes, vamos para algo mais polêmico. Mamilos!

Quase isso. Por pouco não são mamilos, mas ta ali um assunto com o outro.


Antes de começarmos, meus conhecidos panos quentes:

1. Esse artigo não é de nenhuma forma uma análise de Dragon's Crown. Nunca sequer toquei as mãos no jogo em questão, embora conheça muito sobre o mesmo.

2. Eu vou usar como exemplos do meu artigo uma discussão entre o artista do game, George Kamitani e Jason Schreier, do site Kotaku, e a opinião de Luke Plunkett, também do Kotaku. Apesar disso, esse artigo não é de nenhuma forma um ataque a nenhum deles, e sim base para apoiar a teoria que vou apresentar.

3. Eu espero que esteja colocando isso apenas por paranoia, e as pessoas entendam. Mas as opiniões expostas nesse artigo NÃO REPRESENTAM o blog como um todo, e sim só a desse autor que vos fala, Lucas.

O "corpo" do problema

Para quem desconhece, vamos começar com uma explicação básica da fonte da discussão, o jogo Dragon's Crown da Vanillawere. Um Beat and Up com temática medieval-fantástica, assim como os antigos Golden Axe, King of Dragons, e D&D: Tower of Doom e Shadow Over Mystara. Sua arte magnifica, porem extremamente exagerada, foi a fonte de tudo.

Inicialmente, nesse artigo, Jason diz que a feiticeira foi "obviamente criada por um garoto de 14 anos", se referindo ao corpo exagerado da personagem. Kamitani, não levando muito bem o ataque pessoal, fez a seguinte piada:

Parece que o Sr. Jason Schreier de Kotaku não está satisfeito nem coma Feiticeira nem com a Amazona.
Uma arte da orientação que ele gosta foi preparada.

Obviamente essa imagem, somada ao comentário, não trouxeram nada de bom para Kamitani. A mensagem parece questionar a sexualidade de Jason. Segundo esse artigo, essa arte foi feita pelo artista como uma forma de criticar as lojas japonesas, que tem direito a pedirem artes exclusivas para o lançamento (normalmente das personagens femininas em trajes sumários), e essa arte foi feita no intuito de mostrar o Anão, um personagem não tão popular, e algumas de suas palhetas de cores. Além disso, também explicou que todos os personagens do jogo tem silhuetas exageradas exatamente para causar um destaque de outros jogos e projetos artísticos de fantasia medieval, já que jogadores de D&D vão encontrar uma boa quantidade de monstros clássicos ali.

De qualquer forma, nenhum dos dois foram muito felizes em seus comentários, e é triste ver dois adultos se atacando dessa forma, embora, segundo Kamitani, a sua frase seria uma piada leve em japonês, que graças ao Google Translator se tornou isso. Eu estou inclinado a acreditar, porque eu uso esse serviço da Google muito constantemente e conheço bem sua qualidade.

Mas antes que Kamitani enviasse um e-mail formal pedindo desculpas por suas atitudes e por sua arte (coisa que eu considero particularmente absurda) no dia 26/04/2013, ambos parecem ter entrado em contato por Facebook, o que gerou outro artigo para dizer um mínimo interessante. Quando questionado de porque não reclamava também sobre os homens suados do jogo, Jason afirmou que é porque a indústria de videogames tem um grande problema de sexismo. Que ele não está disposto a aceitar a Feiticeira como uma brincadeira quando tantas mulheres se sentem desconfortáveis jogando, trabalhando na indústria de videogames ou participando de eventos de jogos.


Mas a motivação maior para esse artigo veio da postagem de Luke Plunkett, datada do dia seguinte à publicação das desculpas de Kamitani. Nele, Luke fala sobre o site americano de Dragon's Crown e duas artes que tinham sido retiradas na data (agora, ambas estão no site), a pedido da Entertainment Software Rating Board (ESRB). A Amazona recebeu o seguinte comentário do autor:

    A primeira é a Amazona, uma "guerreira destemida". O que é engraçado/estranho sobre este pequeno pedaço de censura é que ela não é particularmente sexual. Claro, há um pouco de decote a mostra, mas se o decote é a primeira coisa que você nota, bem, você é um pervertido. Porque o decote é a menor coisa nessa imagem. (Além da cabeça).

Ele não disse nada sobre a Feiticeira além de "é uma usuária de magia com grandes peitos". Não que ele precise, a internet inteira já tinha falado mais do que o suficiente sobre.

Minha opinião (de merda) sobre o assunto

Não posso deixar de concordar com Jason em parte, sobre os problemas de sexismo, embora eu não conheça a fundo a indústria de games para saber a extensão desse problema. O ponto é que, mesmo com toda a evolução constante que a sociedade vem sofrendo, infelizmente ainda é uma sociedade machista. Dragon's Crown se aproveita da imagem feminina para vender? Sim, não posso discordar disso. Mas a ESRB, o mesmo pessoal esperto que tirou as imagens da Feiticeira e Amazona do site americano, classificou ele como Teen, ou seja, 13+. Adolescentes cheios de hormônios, sabe?

Mas que tal julgar o jogo pelo conteúdo? Seus seis personagens principais poderiam ser divididos em duplas. O Guerreiro e a Feiticeira são os mais próximos do 'padrão de beleza' de nossa sociedade, ele, forte e com um rosto angelical por baixo de seu elmo, ela, curvilineá e linda. O Anão e a Amazona são absurdo, ambos vestindo menos de meio metro de tecido e cobertos de músculos. Por último, o Mago e a Elfa seriam os personagens normais, com físico comum, cobertos, e de aparência agradável. Além disso, durante todo o jogo, encontramos personagens na história igualmente absurdos. Guerreiros imensos, mulheres sensuais, monstros... monstruosos. Todos exagerados em cada detalhe, e a arte é muito bem feita, apesar disso.


Sim, exagerados e caricaturados, estereotipados. Cada um mais que o outro. Vamos lembrar de alguns estereótipos de fantasia? Dois, mais precisamente. Magos em seus robes e roupas leves, pois de algum modo magia e armaduras não combinam tão bem, e Bárbaros, que pulam para as batalhas com suas tangas de texugo e músculos, contando apenas com seu poder e habilidade para se defender. Agora inverta os sexos e adicione um sutiã para nossa bárbara não ficar NSFW (mais).

Força 20, interp... digo, Carisma 6
Vou dar uma situação hipotética para vocês. Esqueçam por um momento tudo o que sabem. Pensem em um mundo perfeito, onde ninguém é julgado. Ninguém é obrigado por religião ou cultura a ser, se vestir, ou agir de tal modo. Escolha qualquer roupa estranha que te vier a cabeça, que você ache legal, que te faça sentir bem. Pense que agora você pode tranquilamente se vestir assim, e desde que não ultrapasse a liberdade dos outros, não será julgado. Que as pessoas não vão ultrapassar os limites com você, a não ser que você aceite isso.

Um mundo melhor, não é?

Agora afaste um pouco esse mundo da sua mente e vamos voltar para nossa realidade. É perfeitamente aceitável que aquele seu tio gordo, peludo e suado ande por ai de bermuda e sem camisa, mesmo em transportes públicos. Agora se sua prima gosta de usar shorts e top, provavelmente você já ouviu ela sendo chamada (ou já chamou) de puta, piranha, ou teve que dizer para ela tomar cuidado quando sair, com o horário e pessoas desconhecidas.

Enquanto seu irmão, aquele babaca, fala que pegou tantas na balada, que já comeu sei la quantas, sua amiga é uma vagabunda porque já transou com mais de três caras. Temos uma inversão interessante. É bonito para o homem ser o garanhão, mas ninguém quer ficar vendo um cara de sunga por ai na rua. Para uma mulher, a regra seria passar a imagem de casta, mas é só ligar a TV pra ver garotas de biquine por todo lado.

Pensando nos ataques que vi por ai, não só a Dragon's Crown, mas também a outros jogos, como Bayonetta (cujos produtores já afirmaram ter intensão de ser sensual a ponto de ser escrachado), Lollipop Chainsaw (jogo do Suda51, autoexplicativo), ou mesmo Tomb Raider (quem não lembra da quantidade de mimimi sobre os gemidos da Lara, quando no trailer ela estava ferida?), são referentes em geral as personagens principais (claro que não só a elas, mas principalmente). Tanto a Feiticeira quanto a Amazona usam trajes reveladores? Sim, fazem parte dos estereótipos que elas representam. E ainda não acho que Luke tinha direito de dizer que pelos músculos a Amazona é menos atraente, ou chamar qualquer um que goste dela de pervertido, já que pessoas diferentes tem gostos diferentes. Inclusive, o argumento dele não é ainda mais machista que a própria arte do jogo?

Acredito que existe uma linha muito tênue entre roupas que condizem com a personagem e roupas criadas apenas para agradar os olhos do publico masculino - e porque não dizer, parte do feminino? Novamente, pessoas tem gostos diferentes umas das outras. Lara Croft, no novo Tomb Raider, usa uma calça justa, mas sempre roupas práticas, mesmo as alternativas. Juliet e Bayonetta usam sim roupas absurdamente provocantes, mas com algum contexto - uma é uma líder de torcida, e a outra uma bruxa superpoderosa que... veste os próprios cabelos. Ok, talvez não tanto contexto assim.

Já as roupas de alternativas das duas variam violentamente entre roupas interessantes - cosplays e roupa de coelho (não as da playboy) para Juliet, e outras variações de roupas de cabelo e uma de outra personagem da história para Bayonetta - e outras que são obviamente só uma ferramenta para vendas - biquine de conchas, maios e colãs rosas, estou falando de vocês mesmo.

Quer algo para deixar o jogo mais
escrachado do que vestir ela de freira?
Mas também temos muitos jogos e MMOs em que não existe qualquer sentido nas personagens usarem as roupas que usam. Mesmo as mais pesadas armaduras tem capacidade de deixar as personagens menos cobertas do que passistas de escola de samba. Isso talvez não fosse tão ruim se houvessem opções, mas conforme cresce seu nível, diminui sua armadura. Sabe como é, armaduras mais poderosas são feitas de material mais raro, que precisa ser economizado... Porque os homens do jogo precisam de suas armaduras de 300 kg para se sentirem machos o suficiente.

Tirando por jogos mais ligados a dramas próximos da nossa realidade como Last of Us e Beyond: Two Souls - desculpem, mas nenhum me vem a mente agora - os nossos mundos fantásticos estão livres de algumas coisas abomináveis da nossa realidade, como o estupro. E outros problemas menores, como alguns pedaços da lógica (como assim eu posso bater minha espada em tudo por 20 horas seguidas e ela não perde nem o fio?) e gravidade (cabelo de personagens japoneses e os peitos da Feiticeira, alguém?). São uma forma de escapismo. Nossas personagens preferidas podem e devem se vestir de forma que faça sentido, sem ter que se limitar a regras de uma sociedade confusa na qual seus mundos nem se encaixam.

Acredito que alguns desses ataques, o do próprio Luke como exemplo, não tem nada a ver com feminismo, mas sim algo totalmente contrário. Ele critica tanto a aparência da Amazona quanto da Feiticeira, mas não diz nada sobre a Elfa. Talvez porque ela seja a mais 'comportada' entre as personagens, coberta, com tranças, e sem seios aparentes? Uma garota com aparência pura. Enquanto isso, as outras duas são algo reprovável pela nossa sociedade - uma mulher de físico forte, e a outra com roupas reveladoras. Ele inclusive chega a desmerecer a Amazona como uma figura atraente exatamente porque na nossa sociedade ela é 'masculina de mais' graças aos seus músculos.


Outra coisa particularmente engraçada. Não faz o menor mal termos Lara Croft chacinando milhões de pessoas com seu arco e flecha, ou Kratos socando Poseidon e Hércules de forma brutal. Mas a quantidade de comentários gerados pela calça selada a vácuo da primeira, ou os mini games de sexo do segundo beira o nível do absurdo. Quem se importa se nossas criancinhas e adolescentes forem expostos a overdoses de violência? Sexo é mal, feio, sujo e corrompe. Mesmo que praticamente todos nós façamos e fiquemos nos gabando disso por ai, ou desmerecendo pessoas que não fazem, não gostam ou não se importem tanto com ele. Éeee... faz a gente parar e pensar um pouco.

E nem venham me falar em "mas as criancinhas estariam expostas a isso", porque estamos numa era onde qualquer um pode achar qualquer coisa em 5 minutos na internet. É responsabilidade dos pais controlar o acesso dos seus filhos a esse tipo de conteúdo. Classificação indicativa também ta ai pra isso, e se as pessoas respeitassem ela um minimo, talvez tivéssemos menos pais chatos enchendo empresas (cof cof ROCKSTAR cof cof) pelos seus jogos.

Alias, já que estamos falando sobre contexto, que tal falarmos um pouco sobre a arte de Kamitani? Quer descobrir o que é contexto? Vamos analisar os tipos de habilidade da Feiticeira. Apesar de contar com algumas magias de dano, ela é uma personagem focada em suporte. Pode aumentar a defesa de seus aliados, transformar inimigos em sapos, voar, criar esqueletos para lutar, e até mesmo conjurar comida para ajudar a curar o grupo. Uma personagem que claramente não se foca em um combate direto, e por tanto, não precisa de uma proteção tão pesada. Além disso, essa imagem resume bem uma ideia interessante que se repete em vários jogos da Vanillaware. Kamitani amarrou dois conceitos antigos, o de necromantes e a de deusas da fertilidade, em uma forma nova e interessante de se pensar sobre esses magos. No lugar de uma figura que 'profana a santidade da morte', as necromantes desses jogos se tornam figuras que dão vida aos mortos.

E você tem a cara de pau de falar que a personagem só é como é para vender mais o jogo.


Por fim, quero deixar claro que não acho que qualquer crítica a mulheres nos jogos é uma frescura. As mulheres principalmente tem pleno direito de considerar a forma como uma personagem é retratada extremamente ofensiva. Mas conhecer o contexto daquele jogo pode trazer argumentos ainda melhores para suas críticas, tanto ao próprio jogo, quanto a eventuais babacas que apareçam.

E isso não é um pedido para que não hajam críticas. É um pedido para que essas criticas sejam feitas mais em forma de uma discussão saudável - é, elas podem ser feitas sem que as partes se odeiem mutuamente - do que de um ataque generalizado. Se você parar para respirar um minuto, normalmente vai ver que nem tudo é tão ruim quanto parece, e que mesmo nas piores coisas você pode encontrar algo legal.

Ou não. Depois que a humanidade nos brindou com Scarlet Blade, minha esperança caiu para níveis negativos...

* As duas últimas imagem do artigo pertencem a Matt E. e podem ser encontradas em sua galeria.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Spice and Wolf e Maoyuu Maou Yuusha


Pensamentos e RPG

Vamos la, palmas pra mim pelo título escrotamente longo e impressionantemente sem dorgas na veia que esse blog já deve ter visto.
 
Não?
 
Ah, que seja.
 
Alias, consegui dar até um erro na configuração do Wordpress. Eu tenho que lembrar de pedir para alguém rever isso depois...
 
Já perdi a conta de quanto tempo estou tentando pensar em um bom modo de escrever um artigo comparando esses dois animes (apenas para deixar claro, estou falando do anime. Li só uma parte do mangá de Spice and Wolf e se você conhece a merda com copyright de Maoyuu sabe que as coisas são um pouquinho complicadas...). Não interpretem isso exatamente como uma resenha. Acho que não da pra se fazer uma resenha de duas coisas ao mesmo tempo, de qualquer modo. A ideia aqui é uma análise sobre as semelhanças e diferenças de ambos os animes e algumas ideias aleatórias sobre aplicação de parte dessas ideias em mesa. Alias, faz muito tempo que assisti ambos, então posso errar alguns detalhes quanto a partes especificas que citar.
 
Mas enfim, acho que fui prolixo demais para um artigo só. Vamos começar.
 
Ambientação
 
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O período retratado nos dois seria algo entre a idade média e moderna – Spice está mais para o primeiro, enquanto Maoyuu quase chega ao segundo. As cidades, cortes, vestimentas e cultura que ambos mostram são riquíssimas, pratos cheios de ideias e minucias para qualquer mestre se aprofundar e aprimorar suas descrições. Alguns detalhes como a máquina tipográfica e acampamentos militares de Maoyuu são especialmente interessantes. Ver também certas coisas como organizações que os dois mostram pode fornecer ideias para suas próprias guildas ou mesmo ganchos de aventura.
 
Economia

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Aqui começam as principais diferenças entre eles. Enquanto Spice se foca muito em uma microeconomia, com cada mercador fazendo uma enorme diferença nos negócios e preços de produtos e verdadeiros combates com suas moedas (diferente de C, onde isso era bem mais literal), Maoyuu se foca em macroeconomia e movimentos políticos. Spice me brindou com o embate entre tentar quebrar ou manter o preço de um produto quando Lawrence e Amarti se enfrentam em uma aposta, enquanto Maoyuu conseguiu me fazer vibrar (sim, mesmo sendo o inimigo, eu achei a ideia absurdamente fantástica) quando os reinos fizeram uma mudança de moedas durante as preparações para a guerra, fazendo com que o próprio inimigo entregasse um terço da riqueza para eles, e como a Maou conseguiu quebrar essa estratégia diminuindo o valor da moeda colocando um produto que valia tanto ou mais do que elas no mercado.
 
É, eu vibrei com uma 'luta' comercial. Não me julguem, foi foda pra caralho!
 
Cada um com sua opinião.
 
Maniqueísmo, Filosofia, ou 'Nem tudo precisa ser bem vs mal'

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Ironicamente o lado 'bonzinho' é o da esquerda. Vá entender o mundo.
Se tem uma coisa que me incomoda profundamente na cultura ocidental é a necessidade constante de querer um inimigo, alguém pra culpar.
 
Sério, olhe o mundo ao seu redor. Veja como você mesmo reage a coisas ruins do dia a dia. Não estou me isentando disso, nem acusando ninguém, mas sempre que alguma merda acontece na sua vida, você xinga alguém – seja Deus, sua sorte, carma, seu irmão, ou qualquer coisa do tipo.
 
Admita, você faz isso. Todo mundo faz. Não é culpa sua, minha ou seja la de quem for. É algo tão profundamente enraizado na nossa sociedade que é realmente difícil mudar. E não falo apenas disso como a antiga ideia de Deus vs Diabo ou etc. Sem procurar muito, você encontra muitos religiosos sendo absurdamente sensatos e ateus atacando eles por motivo algum.
 
Bem, não vem ao caso o fato de que as pessoas querem se livrar de religião e de repente começam a satanizar qualquer religioso como se ele fosse o culpado das guerras, fome, touquinhas em evento de anime e todo os outros males do mundo.
 
Particularmente, eu tenho que dizer que nesse aspecto Spice vence. Maoyuu não consegue se desprender tanto desse maniqueísmo, apenas invertendo os lados – os demônios se mostram muito 'humanos', e vice-versa, e a igreja, movida pelo ódio contra eles, e com poder sobre os governantes, deseja continuar a guerra (ironicamente sendo o lado mal da história). Em Spice não existe um lado bom ou mal. Horo é um ser absurdo, e é completamente aceitável que as pessoas fiquem assustadas com ela. Os mercadores que ficam contra Lawrence nem sempre são traidores de duas caras – estão la por coincidência, não para fazer com que qualquer plano do mercador dê errado, mas querendo lucro como ele. Mesmo quando Lawrence e Amarti estão praticamente em guerra, nenhum deles é o 'lado do mal'. São só duas pessoas em busca de seus objetivos.

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Não é só porque você tem uma inimizade com alguém que precisa cobri-lo de porrada na primeira oportunidade.
Agora tente explicar isso para o bárbaro do grupo...
Em muitas aventuras prontas e histórias, ou mesmo quando você pensa pouco em uma situação, parece que existe um lado mal e um bom. Citando palavras do Dungeon World brasileiro:
 
“Dificilmente alguém dirá: “eu sou uma pessoa maligna”, mas poderia dizer: “eu sempre me coloco em primeiro lugar”, o que seria considerado verdade pelo personagem, embora todo o resto do mundo enxergue isso de outro modo.”
 
Por mais que as pessoas julguem e tentem encontrar um lado errado, a maior parte das vezes isso não existe. Nos meus jogos, prefiro colocar pessoas, organizações ou entidades com objetivos conflitantes no caminho dos jogadores, e adoro observar como eles lidam com isso. Pare para pensar um pouco: você acha mesmo que aquele grupo de bandidos acampados no meio de uma estrada em skyrim está la roubando apenas porque eles gostam de fazer isso, ou cada um ali teve uma história e chegou ali de algum modo? Não digo que é errado odiá-los ou cobri-los de porrada (eu faço isso toda hora, afinal), mas ao menos entenda que eles não são assim tão ruins, e para eles, o monstro é você.
 
Mas também não julgo toda e qualquer obra maniqueísta como ruim. Deuses, não, a obra de Tolkien, que tanto inspira a mesa de milhares de RPGistas, é maniqueísta ao extremo. Não existe tons de cinza. Aqueles que começam a se tornar cruéis são tão corrompidos que a própria aparência mostra isso. Mas nos meus jogos gosto que não exista um lado certo ou lado bom. Os jogadores decidem o lado deles, e isso basta para uma história interessante.
 
O ponto em que eu queria chegar, ou 'a solidão dos poderosos'
 
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É uma coisa que acho estranho eu não ter visto na maior parte das análises de ambos os animes que eu li. E também um dos motivos principais para escrever esse artigo. Sabe, neles você pode ver isso – em Spice é algo um pouco mais calmo, mas em Maoyuu realmente fica explícito. Horo, Dian Rubens (a mulher pássaro que aparece durante o incidente da pirita), Yuusha, Maou, todos eles tem em comum o fato de que são muito mais do que a aparência mostra. Muito acima de humanos normais. Tanto que nunca vão conseguir viver entre eles normalmente. Horo e Dian são entidades consideradas aberrações pela maior parte das pessoas comuns, monstros em um mundo onde a magia é sutil de mais. Maou é um demônio, mas seu título e as obrigações vindas com ele separam ela de qualquer convivência comum com seres de sua espécie. Yuusha é completamente humano, mas mesmo em um mundo onde a magia é clara e abundante, ele está muito acima de qualquer outro ser. Todos com mente humana, seus pontos fortes, suas duvidas, suas necessidades como companhia, e o medo de se verem isolados, não por realmente quererem isso, mas porque para todas as outras pessoas, eles são especiais de mais para serem tratados como pessoas comuns.
 
Em Maoyuu, você vê isso mais explícito no Yuusha. Comemorações pelas vitórias estão acontecendo, e mesmo grande parte do grupo dele (todos mais poderosos que humanos comuns, como verdadeiros heróis de RPG) está comemorando. Ele em geral está de fora, não por ser anti social ou qualquer coisa do tipo. O anime faz parecer que ele não consegue se adequar a esse tipo de coisa, e constantemente ele se pergunta o que tem a oferecer além de sua força bruta. Maou parece em muitos momentos uma figura intocável, e mesmo entre os humanos ela é respeitada ou temida. O desenvolvimento no anime também demonstra as verdadeiras responsabilidades e riscos vindos com o título de Rei Demônio, e o quanto aquilo separa ela de qualquer outro ser da espécie dela. Suas empregadas, a Cavaleira e Yuusha são as únicas pessoas com quem ela parece deixar esse manto de lado e conseguir ser verdadeiramente ela mesma.
 
Já em Spice, Horo demonstra saudades da terra natal. Ela tem séculos de vida, mas nenhum tipo de relação com ninguém até o momento em que Lawrence a encontra. Mesmo a coisa mais próxima a isso, que era a idolatria que recebia como uma deusa, foi tirada dela pelos métodos avançados de plantio. As vezes que ela exterioriza isso são particularmente interessantes – ela não é uma figura feminina frágil que se faz de forte. Ela é um ser que vive muito mais que um humano, mas que sente falta de ser tratada como uma pessoa, e não só um monstro ou uma divindade. Acho que atrelando isso ao fato de que a relação dela com Lawrence é tão bem construída, me faz eleger eles como um dos melhores casais que já vi em animes. Dian, por outro lado, parece constantemente nostálgica. Sua história, apaixonada por um padre a ponto de fazê-la ajudá-lo a construir sua igreja, até o momento em que ele começa a desconfiar de sua verdadeira natureza pelo fato de que ela não envelhece, somados ao lugar onde ela prefere viver quando é mostrada, fazem ela ter um ar misterioso e um pouco deprimente. Não como uma coisa necessariamente ruim, mas apenas triste.

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Não sei quando exatamente comecei a ter pensamentos do tipo, mas tento nos dias atuais não fazer criaturas intocáveis nos meus jogos. Deuses não são absolutos e acima de qualquer erro. Dragões muitas vezes ficam cegos pelo próprio orgulho e ambições, mesmo tendo tanto poder e conhecimento. Existem coisas que mesmo o mais poderoso dos arquimagos não sabe, e as monstruosidades mais sinistras que se escondem e rastejam nas entranhas da terra tem temores, fraquezas e planos, como todos os outros seres. Talvez muitas pessoas não concordem completamente com esse meio de pensar nas coisas, mas é o meu jeito. Eu gosto de criar seres, inimigos ou amigos, em que os jogadores possam identificar uma mente humana, com duvidas e pontos fortes assim como os próprios personagens. As vezes deixar com que o plano dos jogadores dê certo porque o seu grande lich poderoso não tinha pensado em todas as probabilidades pode não ser assim tão terrível para a 'sua história'.
 
Considerações Finais
 
É, não tem jeito, eu sou prolixo. Se você conseguiu chegar até aqui, parabéns, você deveria ganhar uma conquista por conseguir ler tanta besteira e não comentar me mandando tomar no cu.
 
Alias, só para deixar claro, se você fizer isso nós vamos moderar seu comentário, então nem perca seu tempo.
 
Obrigado pela paciência e assistam esses animes. Ou ao menos deem uma chance. Quem sabe você não descobre o quanto uma negociação entre dois mercadores pode ser divertida?