Dragon's Crown - Analise

É, é uma analise de um jogo mais de um ano depois do seu lançamento. Sim, eu sei, quem tinha que comprar já comprou, ou aproveitou e pegou de graça na PSN no mês de agosto de 2014 (se ainda não pegou o seu, corre que da tempo). Não, eu não ligo para nada disso e vou dar minhas impressões sobre o jogo ainda assim. Bora lá.

Tomb Raider

Agora é hora de falar sobre o que eu achei do game. Mas antes de mais nada, essa game é um reinicio da série, sem relação com os anteriores, sendo considerado o primeiro jogo de uma nova série de Tomb Raider.

Mods de Skyrim

Esses são os mods que eu uso em Skyrim. Acho legal compartilhar, fazendo uma lista daqueles que valem a pena baixarem para diversificar o jogo. Você pode baixar mods no Nexus ou na Oficina Steam, mas é importante que leia cada descrição, pois alguns mods exigem outro mod ou que você tenha alguma DLC para funcionar.

Resenha - Dragões de Eter

Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. Essa Influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas.

Defendendo Kill la Kill e suas roupas "depravadas"

Vamos ao que pode ser considerado um problema no anime: quando Ryuko Matoi e Satsuki Kiryuin se transformam usam roupas ultra sexys, principalmente a segunda. Segundo várias pessoas, quando as personagens femininas de qualquer midia, seja anime, mangá, séries televisivas, games, filmes, etc, usam roupas curtas é porque estão sendo objetificadas

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Dragon's Crown

Dragon's Crown é um beat 'em up com elementos de RPG desenvolvido pela Vanillaware e lançado no Japão em julho de 2013, exclusivo de PS3 e PSP com funcionalidade de crossplay. Você provavelmente ouviu falar desse jogo graças a polêmica sobre sua arte. Mesmo assim, a qualidade desse jogo não pode ser negada, já que é extremamente de jogar, seja sozinho, seja com os amigos. Suas influencias de diversas mídias de fantasia tornam ele ainda mais apelativo aos meus gostos.

Gameplay

Cada um dos personagens tem um gameplay diferente, o que os torna mais únicos do que suas aparências já sugerem.
Você inicia o jogo escolhendo entre um dos seis personagens disponíveis e fazendo um pequeno tutorial. Os comandos respondem muito bem, e é fácil controlar seu personagem em combate. Eles tem diferenças de jogabilidade entre si, e você pode até mesmo customizá-los quando sobe de nível, melhorando habilidades já existentes e desbloqueando coisas novas.

Eu, por exemplo, sou o tipico jogador suicida que parte para a porrada de peito aberto. Investi a maior parte dos meus pontos de guerreiro em aprimorar os ataques básicos, e alguma coisa em uma habilidade que tem chance de defender automaticamente alguns golpes (porque eu nunca lembro que meu personagem tem um escudo).

Agora tente imaginar quatro jogadores fazendo coisas do tipo no meio da dungeon.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Born This Way - Reporte de Sessão 1


Antes de tudo, não, não fui eu que escolhi esse nome. Culpem a Nyu. Meu tipo de gosto musical duvidoso é totalmente diferente do dela.

No dia 2 de fevereiro nós começamos uma campanha nova. Encerramos a última por alguns problemas e planejamos dar um fim digno para aqueles personagens - transformá-los em figuras importantes do novo cenário seria legal, mesmo que eles não tenham tido um 'fim' em sessão.

Mas o que vem o caso aqui é a campanha nova. Um reporte de sessão, para aqueles que não sabem, é um resumo da história que acontece em cada sessão de jogo. Porque eu to colocando isso aqui, vocês se perguntam? Porque eu posso assim nossos leitores que não conhecem RPG podem ver como decorre uma aventura, podemos dar ideias para leitores que já jogam, e porque é uma forma mais conveniente de fazer nossos jogadores lembrarem do que aconteceu nas sessões anteriores.

O sistema usado foi o Dungeon World com algumas modificações particulares. Vou analisar melhor o CC conforme o tempo e corrigir erros de português dos arquivos, para poder lançar essa mini versão em PDF para os leitores do blog. Não esperem nada extremamente profissional, minha habilidade de diagramação não é grande.

Personagens

Teremos, em teoria, 5 jogadores e a mestra, Nyu. Na primeira sessão, por alguns problemas, tivemos apenas Gabriel (daqui do blog), Rafaela e eu, Lucas. O processo de criação durou mais do que o comum, mas acabamos com personagens bem interessantes:

O Gabriel está jogando com Warren BoulderCrown, anão ladrão. Seu pai criou uma guilda de alquimistas, mas graças a membros corruptos, a guilda perdeu sua reputação. Warren prometeu a si mesmo que traria honra de volta ao nome de seu pai, e puniria os antigos parceiros de negócios dele, se tornando um obcecado por venenos no processo.

A Rafaela está jogando com Dayo Hakim, humano druida. Vindo de uma comunidade pequena, ele viveu uma vida normal, com direito a casamento e uma filha. Mas uma peste veio e acabou com isso. Por pouco o homem não morreu. Afogando suas magoas com álcool, ele acabou sendo expulso da vila. Vagando pelas montanhas, foi encontrado por um circulo druídico e ensinado nos caminhos da terra. Os espíritos deixaram sua marca entretanto, e Hakim tem um par de pequenos chifres em sua testa.

Eu estou jogando com Melissa, meia-faen feiticeira. Criada em uma vila isolada entre o mundo humano e o das fadas, ela acabou se tornando aventureira pela vontade de ver o mundo. Capturada então por um culto sinistro de uma deusa adormecida, ela foi torturada, com esperanças que a marca de um espírito que ela carregava pudesse trazer de volta as forças da Rainha Gigante. Hoje, a feiticeira odeia profundamente ordens religiosas que causam o mal as pessoas. Ela é acompanhada por Sage, um mercenário meio-faen que ela resgatou de ser levado por uma ordem religiosa, graças a sua aparência, já que ele tem chifres.

Os outros dois personagens, um humano ranger caçador de demônios do Ren, ainda sem um nome, e Ange, a humana duelista montada em um lobo gigante da Elisa, serão apresentados em detalhes mais para frente, quando os respectivos jogadores entrarem na campanha.

Pelo tipo de clima que a Nyu quer passar, um mundo de dark fantasy (pensem em Berserk) e uma campanha com arcos pequenos envolvendo uma aventura cada, e pelo próprio Dungeon World, os personagens vão acabar sendo substituídos com o tempo, seja por mortes, seja por aposentadoria (preferimos ignorar boa parte das regras que permitem aos personagens ir além do nível 10, incluindo apenas uma para que o jogador possa continuar com seu personagem até completar seu arco de história). Como o grupo terá 5 pessoas, e o jogo em si tem 11 classes de personagem, também vamos manter a regra de que ninguém pode usar as mesmas classes no grupo ao mesmo tempo. Apesar dessa restrição, acredito que dois personagens da mesma classe possam coexistir, desde que os jogadores tenham ideias diferentes de que tipo de personagens querem criar.

Sessão

A sessão começou de uma forma peculiar e divertida: a Nyu nos sugeriu a seguinte cena.

Há uma pessoa caída a frente de vocês, ensaguentada, e olhando com medo para a criatura que a atacou.

E então perguntou para cada um de nós um detalhe da cena. Acabamos criando a seguinte cena:

Estamos na borda de uma floresta, junto a uma montanha, na estrada real. A pessoa ensanguentada no chão é Dominicov, um amigo de Ange, que trabalha na guarda real. Junto de nós, alguns outros soldados, que protegem o bau de impostos, e nós que também fomos contratados (por motivos misteriosos) para proteger. A pessoa que atacou Dominicov é Karr, um bandido muito temido e famoso por empunhar uma flamberge com uma mão só. Estamos cercados também por seu grupo de bandidos.

Karr tinha sua espada na garganta de Dominicov, e ameaçava matá-lo se não entregássemos a ele o bau com os impostos. Warren imediatamente apanhou o bau do chão, e numa jogada espetacular, arremessou-o contra Karr, que caiu no chão sob o impacto. Aproveitando-se da brecha, Hakim chamou os espíritos da montanha e se tornou um lobo, mas manteve seus chifres. No meio da confusão, Melissa aproveitou a raiva que sentia de Dominicov, que estava fingindo coragem, para atacar Karr. Agora, além de sem ar, o homem também sentia seu sangue ferver (e nisso tudo, ninguém levou dano, nem mesmo Karr).

Nesse momento tanto os guardas quanto os bandidos já estavam todos assustados com o grupo estranho. Warren mandou um belo intimidar nos bandidos, enquanto Hakim rosnou para eles. Ainda assim, os bandidos tiveram tempo de tentar botar as mãos no bau. Os guardas por sua vez ajudavam na intimidação do grupo. Melissa aproveitou a confusão toda para pegar a flamberge para si (não me condenem, tudo o que eu tinha era uma faquinha -Q).

Antes que qualquer um pudesse fazer qualquer outra coisa, uma bizarra criatura pálida, vagamente feminina e de olhos e boca brilhantes apareceu da floresta, invocando um sentimento de medo em todas as pessoas na cena. Melissa e Sage ficaram parados, apesar de amendrotandos, e ela informou o grupo que a criatura era um espírito criado pelo medo, e que tinha sido atraído até ali pela magia dela (não é totalmente verdade, mas achei uma explicação bem maneira na hora).

Nessa hora, o grupo dividiu um pouco as funções. Hakim foi contra os bandidos, ajudando os guardas, e afugentando o grupo antes que eles conseguissem levar o bau. Warren usou as árvores para evitar ser visto e flanquear a criatura. Melissa invocou, com a ajuda de Sage, seu sentimento de compaixão pelos amigos na lâmina da flamberge para atacar o espírito (não é exatamente um bônus, só novamente achei interessante usar as magias 'sentimentais' do feiticeiro para deixar a cena mais interessante).

Resultado: Warren e Melissa rolaram 6- quanto partiram para cima do espírito do medo, e a criatura explodiu em uma energia brilhante. Hakim evitou que o bau fosse levado, e voltou a sua forma humana, embora mais bestial. E no meio da confusão de dois grupos fugindo, a sessão se encerrou.

Parece simples e foi relativamente curta, mas foi uma sessão divertida para iniciar o jogo. A criação coletiva da cena teve bons resultados, e as rolagens (as maiores e as menores) ajudaram a construir cenas maneiras. Provavelmente nas próximas sessões vamos ter grandes problemas:

• Aliados desconfiados de nós, graças aos poderes assustadores que os personagens demonstraram.

• Um espírito surgido do medo das pessoas, saído sabe-se lá de onde.
• Um bandido extremamente puto por perder sua arma favorita para uma feiticeira magrela.

Mas é isso. Vamos ver o que o destino e as rolagens nos aguardam. E muitas falhas para todos, porque 6- da XP!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dragon's Crown e Pensamentos Sobre Sexismo

E voltamos ao bloggers! E para comemorar isso, em vez das minhas rotineiras análises sobre jogos, filmes ou animes, vamos para algo mais polêmico. Mamilos!

Quase isso. Por pouco não são mamilos, mas ta ali um assunto com o outro.


Antes de começarmos, meus conhecidos panos quentes:

1. Esse artigo não é de nenhuma forma uma análise de Dragon's Crown. Nunca sequer toquei as mãos no jogo em questão, embora conheça muito sobre o mesmo.

2. Eu vou usar como exemplos do meu artigo uma discussão entre o artista do game, George Kamitani e Jason Schreier, do site Kotaku, e a opinião de Luke Plunkett, também do Kotaku. Apesar disso, esse artigo não é de nenhuma forma um ataque a nenhum deles, e sim base para apoiar a teoria que vou apresentar.

3. Eu espero que esteja colocando isso apenas por paranoia, e as pessoas entendam. Mas as opiniões expostas nesse artigo NÃO REPRESENTAM o blog como um todo, e sim só a desse autor que vos fala, Lucas.

O "corpo" do problema

Para quem desconhece, vamos começar com uma explicação básica da fonte da discussão, o jogo Dragon's Crown da Vanillawere. Um Beat and Up com temática medieval-fantástica, assim como os antigos Golden Axe, King of Dragons, e D&D: Tower of Doom e Shadow Over Mystara. Sua arte magnifica, porem extremamente exagerada, foi a fonte de tudo.

Inicialmente, nesse artigo, Jason diz que a feiticeira foi "obviamente criada por um garoto de 14 anos", se referindo ao corpo exagerado da personagem. Kamitani, não levando muito bem o ataque pessoal, fez a seguinte piada:

Parece que o Sr. Jason Schreier de Kotaku não está satisfeito nem coma Feiticeira nem com a Amazona.
Uma arte da orientação que ele gosta foi preparada.

Obviamente essa imagem, somada ao comentário, não trouxeram nada de bom para Kamitani. A mensagem parece questionar a sexualidade de Jason. Segundo esse artigo, essa arte foi feita pelo artista como uma forma de criticar as lojas japonesas, que tem direito a pedirem artes exclusivas para o lançamento (normalmente das personagens femininas em trajes sumários), e essa arte foi feita no intuito de mostrar o Anão, um personagem não tão popular, e algumas de suas palhetas de cores. Além disso, também explicou que todos os personagens do jogo tem silhuetas exageradas exatamente para causar um destaque de outros jogos e projetos artísticos de fantasia medieval, já que jogadores de D&D vão encontrar uma boa quantidade de monstros clássicos ali.

De qualquer forma, nenhum dos dois foram muito felizes em seus comentários, e é triste ver dois adultos se atacando dessa forma, embora, segundo Kamitani, a sua frase seria uma piada leve em japonês, que graças ao Google Translator se tornou isso. Eu estou inclinado a acreditar, porque eu uso esse serviço da Google muito constantemente e conheço bem sua qualidade.

Mas antes que Kamitani enviasse um e-mail formal pedindo desculpas por suas atitudes e por sua arte (coisa que eu considero particularmente absurda) no dia 26/04/2013, ambos parecem ter entrado em contato por Facebook, o que gerou outro artigo para dizer um mínimo interessante. Quando questionado de porque não reclamava também sobre os homens suados do jogo, Jason afirmou que é porque a indústria de videogames tem um grande problema de sexismo. Que ele não está disposto a aceitar a Feiticeira como uma brincadeira quando tantas mulheres se sentem desconfortáveis jogando, trabalhando na indústria de videogames ou participando de eventos de jogos.


Mas a motivação maior para esse artigo veio da postagem de Luke Plunkett, datada do dia seguinte à publicação das desculpas de Kamitani. Nele, Luke fala sobre o site americano de Dragon's Crown e duas artes que tinham sido retiradas na data (agora, ambas estão no site), a pedido da Entertainment Software Rating Board (ESRB). A Amazona recebeu o seguinte comentário do autor:

    A primeira é a Amazona, uma "guerreira destemida". O que é engraçado/estranho sobre este pequeno pedaço de censura é que ela não é particularmente sexual. Claro, há um pouco de decote a mostra, mas se o decote é a primeira coisa que você nota, bem, você é um pervertido. Porque o decote é a menor coisa nessa imagem. (Além da cabeça).

Ele não disse nada sobre a Feiticeira além de "é uma usuária de magia com grandes peitos". Não que ele precise, a internet inteira já tinha falado mais do que o suficiente sobre.

Minha opinião (de merda) sobre o assunto

Não posso deixar de concordar com Jason em parte, sobre os problemas de sexismo, embora eu não conheça a fundo a indústria de games para saber a extensão desse problema. O ponto é que, mesmo com toda a evolução constante que a sociedade vem sofrendo, infelizmente ainda é uma sociedade machista. Dragon's Crown se aproveita da imagem feminina para vender? Sim, não posso discordar disso. Mas a ESRB, o mesmo pessoal esperto que tirou as imagens da Feiticeira e Amazona do site americano, classificou ele como Teen, ou seja, 13+. Adolescentes cheios de hormônios, sabe?

Mas que tal julgar o jogo pelo conteúdo? Seus seis personagens principais poderiam ser divididos em duplas. O Guerreiro e a Feiticeira são os mais próximos do 'padrão de beleza' de nossa sociedade, ele, forte e com um rosto angelical por baixo de seu elmo, ela, curvilineá e linda. O Anão e a Amazona são absurdo, ambos vestindo menos de meio metro de tecido e cobertos de músculos. Por último, o Mago e a Elfa seriam os personagens normais, com físico comum, cobertos, e de aparência agradável. Além disso, durante todo o jogo, encontramos personagens na história igualmente absurdos. Guerreiros imensos, mulheres sensuais, monstros... monstruosos. Todos exagerados em cada detalhe, e a arte é muito bem feita, apesar disso.


Sim, exagerados e caricaturados, estereotipados. Cada um mais que o outro. Vamos lembrar de alguns estereótipos de fantasia? Dois, mais precisamente. Magos em seus robes e roupas leves, pois de algum modo magia e armaduras não combinam tão bem, e Bárbaros, que pulam para as batalhas com suas tangas de texugo e músculos, contando apenas com seu poder e habilidade para se defender. Agora inverta os sexos e adicione um sutiã para nossa bárbara não ficar NSFW (mais).

Força 20, interp... digo, Carisma 6
Vou dar uma situação hipotética para vocês. Esqueçam por um momento tudo o que sabem. Pensem em um mundo perfeito, onde ninguém é julgado. Ninguém é obrigado por religião ou cultura a ser, se vestir, ou agir de tal modo. Escolha qualquer roupa estranha que te vier a cabeça, que você ache legal, que te faça sentir bem. Pense que agora você pode tranquilamente se vestir assim, e desde que não ultrapasse a liberdade dos outros, não será julgado. Que as pessoas não vão ultrapassar os limites com você, a não ser que você aceite isso.

Um mundo melhor, não é?

Agora afaste um pouco esse mundo da sua mente e vamos voltar para nossa realidade. É perfeitamente aceitável que aquele seu tio gordo, peludo e suado ande por ai de bermuda e sem camisa, mesmo em transportes públicos. Agora se sua prima gosta de usar shorts e top, provavelmente você já ouviu ela sendo chamada (ou já chamou) de puta, piranha, ou teve que dizer para ela tomar cuidado quando sair, com o horário e pessoas desconhecidas.

Enquanto seu irmão, aquele babaca, fala que pegou tantas na balada, que já comeu sei la quantas, sua amiga é uma vagabunda porque já transou com mais de três caras. Temos uma inversão interessante. É bonito para o homem ser o garanhão, mas ninguém quer ficar vendo um cara de sunga por ai na rua. Para uma mulher, a regra seria passar a imagem de casta, mas é só ligar a TV pra ver garotas de biquine por todo lado.

Pensando nos ataques que vi por ai, não só a Dragon's Crown, mas também a outros jogos, como Bayonetta (cujos produtores já afirmaram ter intensão de ser sensual a ponto de ser escrachado), Lollipop Chainsaw (jogo do Suda51, autoexplicativo), ou mesmo Tomb Raider (quem não lembra da quantidade de mimimi sobre os gemidos da Lara, quando no trailer ela estava ferida?), são referentes em geral as personagens principais (claro que não só a elas, mas principalmente). Tanto a Feiticeira quanto a Amazona usam trajes reveladores? Sim, fazem parte dos estereótipos que elas representam. E ainda não acho que Luke tinha direito de dizer que pelos músculos a Amazona é menos atraente, ou chamar qualquer um que goste dela de pervertido, já que pessoas diferentes tem gostos diferentes. Inclusive, o argumento dele não é ainda mais machista que a própria arte do jogo?

Acredito que existe uma linha muito tênue entre roupas que condizem com a personagem e roupas criadas apenas para agradar os olhos do publico masculino - e porque não dizer, parte do feminino? Novamente, pessoas tem gostos diferentes umas das outras. Lara Croft, no novo Tomb Raider, usa uma calça justa, mas sempre roupas práticas, mesmo as alternativas. Juliet e Bayonetta usam sim roupas absurdamente provocantes, mas com algum contexto - uma é uma líder de torcida, e a outra uma bruxa superpoderosa que... veste os próprios cabelos. Ok, talvez não tanto contexto assim.

Já as roupas de alternativas das duas variam violentamente entre roupas interessantes - cosplays e roupa de coelho (não as da playboy) para Juliet, e outras variações de roupas de cabelo e uma de outra personagem da história para Bayonetta - e outras que são obviamente só uma ferramenta para vendas - biquine de conchas, maios e colãs rosas, estou falando de vocês mesmo.

Quer algo para deixar o jogo mais
escrachado do que vestir ela de freira?
Mas também temos muitos jogos e MMOs em que não existe qualquer sentido nas personagens usarem as roupas que usam. Mesmo as mais pesadas armaduras tem capacidade de deixar as personagens menos cobertas do que passistas de escola de samba. Isso talvez não fosse tão ruim se houvessem opções, mas conforme cresce seu nível, diminui sua armadura. Sabe como é, armaduras mais poderosas são feitas de material mais raro, que precisa ser economizado... Porque os homens do jogo precisam de suas armaduras de 300 kg para se sentirem machos o suficiente.

Tirando por jogos mais ligados a dramas próximos da nossa realidade como Last of Us e Beyond: Two Souls - desculpem, mas nenhum me vem a mente agora - os nossos mundos fantásticos estão livres de algumas coisas abomináveis da nossa realidade, como o estupro. E outros problemas menores, como alguns pedaços da lógica (como assim eu posso bater minha espada em tudo por 20 horas seguidas e ela não perde nem o fio?) e gravidade (cabelo de personagens japoneses e os peitos da Feiticeira, alguém?). São uma forma de escapismo. Nossas personagens preferidas podem e devem se vestir de forma que faça sentido, sem ter que se limitar a regras de uma sociedade confusa na qual seus mundos nem se encaixam.

Acredito que alguns desses ataques, o do próprio Luke como exemplo, não tem nada a ver com feminismo, mas sim algo totalmente contrário. Ele critica tanto a aparência da Amazona quanto da Feiticeira, mas não diz nada sobre a Elfa. Talvez porque ela seja a mais 'comportada' entre as personagens, coberta, com tranças, e sem seios aparentes? Uma garota com aparência pura. Enquanto isso, as outras duas são algo reprovável pela nossa sociedade - uma mulher de físico forte, e a outra com roupas reveladoras. Ele inclusive chega a desmerecer a Amazona como uma figura atraente exatamente porque na nossa sociedade ela é 'masculina de mais' graças aos seus músculos.


Outra coisa particularmente engraçada. Não faz o menor mal termos Lara Croft chacinando milhões de pessoas com seu arco e flecha, ou Kratos socando Poseidon e Hércules de forma brutal. Mas a quantidade de comentários gerados pela calça selada a vácuo da primeira, ou os mini games de sexo do segundo beira o nível do absurdo. Quem se importa se nossas criancinhas e adolescentes forem expostos a overdoses de violência? Sexo é mal, feio, sujo e corrompe. Mesmo que praticamente todos nós façamos e fiquemos nos gabando disso por ai, ou desmerecendo pessoas que não fazem, não gostam ou não se importem tanto com ele. Éeee... faz a gente parar e pensar um pouco.

E nem venham me falar em "mas as criancinhas estariam expostas a isso", porque estamos numa era onde qualquer um pode achar qualquer coisa em 5 minutos na internet. É responsabilidade dos pais controlar o acesso dos seus filhos a esse tipo de conteúdo. Classificação indicativa também ta ai pra isso, e se as pessoas respeitassem ela um minimo, talvez tivéssemos menos pais chatos enchendo empresas (cof cof ROCKSTAR cof cof) pelos seus jogos.

Alias, já que estamos falando sobre contexto, que tal falarmos um pouco sobre a arte de Kamitani? Quer descobrir o que é contexto? Vamos analisar os tipos de habilidade da Feiticeira. Apesar de contar com algumas magias de dano, ela é uma personagem focada em suporte. Pode aumentar a defesa de seus aliados, transformar inimigos em sapos, voar, criar esqueletos para lutar, e até mesmo conjurar comida para ajudar a curar o grupo. Uma personagem que claramente não se foca em um combate direto, e por tanto, não precisa de uma proteção tão pesada. Além disso, essa imagem resume bem uma ideia interessante que se repete em vários jogos da Vanillaware. Kamitani amarrou dois conceitos antigos, o de necromantes e a de deusas da fertilidade, em uma forma nova e interessante de se pensar sobre esses magos. No lugar de uma figura que 'profana a santidade da morte', as necromantes desses jogos se tornam figuras que dão vida aos mortos.

E você tem a cara de pau de falar que a personagem só é como é para vender mais o jogo.


Por fim, quero deixar claro que não acho que qualquer crítica a mulheres nos jogos é uma frescura. As mulheres principalmente tem pleno direito de considerar a forma como uma personagem é retratada extremamente ofensiva. Mas conhecer o contexto daquele jogo pode trazer argumentos ainda melhores para suas críticas, tanto ao próprio jogo, quanto a eventuais babacas que apareçam.

E isso não é um pedido para que não hajam críticas. É um pedido para que essas criticas sejam feitas mais em forma de uma discussão saudável - é, elas podem ser feitas sem que as partes se odeiem mutuamente - do que de um ataque generalizado. Se você parar para respirar um minuto, normalmente vai ver que nem tudo é tão ruim quanto parece, e que mesmo nas piores coisas você pode encontrar algo legal.

Ou não. Depois que a humanidade nos brindou com Scarlet Blade, minha esperança caiu para níveis negativos...

* As duas últimas imagem do artigo pertencem a Matt E. e podem ser encontradas em sua galeria.